Há uma mudança importante acontecendo na inteligência artificial. E talvez a melhor forma de percebê-la não seja olhando para os modelos mais poderosos, mas para aquilo que começa a acontecer quando essa inteligência deixa de estar restrita à tela e passa a fazer parte do mundo real.
Foi essa uma das principais impressões que trouxe da CES 2026, em Las Vegas.
CES 2026 Las Vegas – O que a IA consegue transformar
Em uma feira de escala gigantesca, com pavilhões inteiros dedicados às mais diferentes categorias de tecnologia, a inteligência artificial esteve novamente no centro das discussões. Mas havia uma diferença importante em relação aos últimos anos.
Falava-se menos sobre o que os modelos conseguem fazer e mais sobre o que a IA consegue transformar.
Agentes de IA, automação e sistemas inteligentes passaram a ser discutidos cada vez mais sob a perspectiva de resultados concretos para empresas. Insights, por si só, já não são suficientes. A expectativa agora é que a inteligência seja capaz de participar do processo de decisão e gerar impacto mensurável.
A IOT. A inteligência chegando aos objetos
A CES também deixou evidente outra transformação: a chegada mais concreta da IoT, a inteligência artificial das coisas.
Robôs domésticos, equipamentos de cozinha, dispositivos para sono, soluções de saúde e inúmeros objetos cotidianos começam a incorporar inteligência para compreender contexto, aprender com o comportamento do usuário e oferecer assistência em tempo real.
A inteligência está deixando de ser apenas uma interface e começando a se tornar uma camada distribuída sobre o mundo físico.
Essa percepção foi especialmente importante para nós na Draiven.
Vale do Silício. Das respostas às arquiteturas cognitivas
Depois da CES, seguimos para San Francisco para uma imersão no ecossistema de tecnologia e startups do Vale do Silício, em uma missão realizada com a SOFTEX e a ApexBrasil, em parceria com a OBr.global.
E foi ali que uma pergunta passou a fazer ainda mais sentido para nós: o que acontece quando essa evolução da IA chega ao ambiente empresarial?
A resposta passa pelas chamadas arquiteturas cognitivas.
Estamos abandonando uma lógica em que a inteligência artificial simplesmente recebe uma pergunta, consulta um modelo e devolve uma resposta. O próximo estágio envolve sistemas capazes de compreender contexto, acessar diferentes fontes de informação, raciocinar sobre problemas complexos, acionar agentes especializados e, principalmente, transformar conhecimento em ação.
É exatamente nesse espaço que construímos a Draiven.
Validação. Colocar a própria tecnologia à prova
Nossa missão no Vale do Silício não foi buscar uma tecnologia que não tínhamos. Foi validar se aquilo que estávamos construindo no Brasil fazia sentido em um dos mercados mais competitivos do mundo.
E a resposta foi bastante concreta.
Durante a missão, estabelecemos parcerias, validamos nossa tecnologia com diferentes interlocutores do ecossistema e conquistamos dois contratos que se tornaram fundamentais para o início da nossa operação comercial em escala.
A partir dali o resultado foi ainda mais significativo: a Draiven cresceu 28 vezes em faturamento, realizou uma rodada pré-seed de US$ 500 mil com um fundo americano e iniciou também sua operação europeia.
Internacionalização não é traduzir o produto
Mais do que números, essa experiência mudou nossa percepção sobre internacionalização.
Internacionalizar uma empresa de tecnologia não significa simplesmente traduzir o produto, abrir uma operação no exterior ou começar a vender em outro país.
Significa colocar sua tecnologia diante de clientes, investidores e competidores que possuem referências diferentes e uma régua extremamente alta.
E talvez o principal aprendizado tenha sido justamente este: empresas brasileiras não precisam necessariamente competir pela construção do próximo grande modelo de linguagem. Existe uma oportunidade enorme em construir arquiteturas, produtos e aplicações capazes de transformar inteligência artificial em valor para negócios reais.
A vantagem competitiva estará cada vez menos em simplesmente ter acesso à IA e cada vez mais em saber como orquestrá-la dentro do contexto de cada empresa.
A próxima fronteira. Existe espaço para a tecnologia brasileira
A CES mostrou a inteligência chegando aos objetos.
O Vale do Silício mostrou a velocidade com que essa inteligência está sendo transformada em negócios.
Para nós, a missão mostrou algo ainda mais importante: existe espaço para tecnologia brasileira nessa próxima fronteira.
Mas ocupar esse espaço exige mais do que inovação.
Exige capacidade de execução, velocidade, conhecimento de mercado, validação internacional e disposição para colocar a própria tecnologia à prova.
A inteligência artificial já deixou de ser apenas uma promessa tecnológica.
Agora começa a fase em que precisamos provar, todos os dias, quanto valor ela é capaz de gerar.
